CD “O Cancionista”

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CONTANDO CANÇÕES

Victor Hugo costumava dizer que o ponto mais alto da sabedoria é o da simplicidade. Jobim repetia dezenas de vezes uma nota só em uma canção e ela foi consideradas uma das melhores do século. Satie repetia à exaustão dois únicos acordes de sétima maior e colocava algumas notinhas na melodia em sua Gymnopedie e foi considerado com isso um precursor do século XX. Mozart colocava um acorde de dó maior ao lado de um de ré, algo que milhões fizeram, mas através de uma cristalina simplicidade só sua, na manipulação, conseguiu nos emocionar por séculos. O talento da simplicidade é, portanto, o mais complicado – curioso paradoxo, não? Este é o talento de Marco Bernardo. “Contar” uma canção, portanto, não é “cantar” uma canção. Expressá-la com coloquialidade, com simplicidade, com verossimilhança; externá-la “de coração a coração”; fugir do exibicionismo instrumental ou atletismo canoro, são coisas que poucos conseguem. E o interessante aqui, é que isso ocorre com os mais diversos repertórios, criados por autores que nada tinham em comum. Mas o senso artístico e o bom gosto de Marco criam a amalgama que dá sabor e coerência ao CD. Recomendo-o, portanto. Leve-o para casa. E, se puder, leve o próprio Marco Antonio e teus parentes, vizinhos e amigos não sairão mais de lá…”

Júlio Medaglia

SP, 27/3/07 

*** 

É formidável poder trazer a vocês o CD “O CANCIONISTA”, a minha mais espontânea empreitada musical! Tomado de simpatia pelo termo (segundo diz o Aurélio, pessoa que faz canções, cancioneiro), incorporei-o por neologismo e me imbuí de personificar o intérprete de canções a serviço de seus grandes compositores. Desde sempre dediquei um amor especial às grandes canções do passado, independentemente de estilos e fronteiras, imortalizadas por tantos grandes cantores cujas singulares interpretações há muito povoam o meu universo musical.

“O CANCIONISTA” é a síntese desse substrato musical e uma intensa prática profissional envolvendo o exercício da atividade vocal, seja regendo corais, seja arranjando para as mais diversas formações e tipos de vozes, seja secundando ao piano uma infinidade de cantores líricos e populares. Em mais de 20 anos atuando em tão envolvente métier, foi inevitável que eu me descobrisse cantor!

Mas um cantor cuja meta principal é envolver as pessoas com o encantamento das canções! Não chego a ser um autodidata por ter já trabalhado alguns aspectos de minha voz com alguns renomados profissionais do ramo, mas sempre buscando preservar minha voz natural.

O repertório deste CD descortina um panorama do melhor que a canção já produziu, situado em sua maior parte entre os anos 1920 e 1960, e traz algumas das mais célebres páginas musicais de todos os tempos, nas línguas portuguesa, italiana, francesa, alemã, espanhola e inglesa, que há cerca de dez anos venho divulgando em eventos vários. O programa se inicia com nove canções brasileiras, muitas do nosso folclore de várias regiões e inspiradas nas interpretações únicas da antológica cantora Clara Petraglia. Esse bloco termina com o samba “Pra Esquecer” que, coincidentemente, o grande Noel Rosa dedicou a um pianista, “ao exímio pianista Nonô, Paderewsky do samba”, e aqui foi incluída como homenagem ao meu pai, Fernando Bernardo, o primeiro “cancionista” que conheci e uma figura extremamente simpática e musical, que a interpretava lindamente! As três músicas em italiano retratam o universo da grande canção napolitana, de cuja região provém meus avós: Guaglione, em dialeto napolitano, Caruso, recente criação que rende um tributo ao maior tenor de todos tempos, e Signorinella, curiosamente escrita em italiano standard, e que evoca a interpretação do grande tenor emiliano Ferruccio Tagliavini, um dos meus favoritos. Seguem as canções francesas, chefs d’œuvre de criadores exponenciais da ordem de Charles Trenet, Edith Piaf e Jacqueline François. A única canção alemã deste CD é Das Lied ist Aus, mais conhecida por Warum?, grande criação de Richard Tauber e Marlene Dietrich. As canções em língua espanhola são a antiga Mi Viejo Amor, do repertório do maior tenor “di grazia” italiano de todos os tempos, Tito Schipa, e um dos mais sublimes boleros que jamais conheci, Una Mujer. Em inglês, incluí o ‘negro spiritual’ Swing Low Sweet Chariot e a célebre Maria, do musical West Side Story, que nos remete à bela versão cantada por Johnny Mathis. O último bloco é um medley de conhecidíssimas composições da lavra do emblemático mito do samba paulista, Adoniran Barbosa, ao qual rendo homenagem em função da minha estreita ligação com o célebre conjunto vocal-instrumental Demônios da Garoa, que integrei em 1999.

Foi extremamente prazeiroso poder registrar aqui um pouco de minha história musical. Em outras palavras, é formidável poder trazer a vocês O CANCIONISTA, a minha mais espontânea empreitada musical!

“Mas e aí, gente, vocês gostaram do disquinho? Pois é, foi feito pra vocês, com muito carinho…”

(notas sobre o CD “O Cancionista”, por Marco Bernardo)

ADQUIRA O CD “O CANCIONISTA” NA LOJA VIRTUAL DA CIRCUITO MUSICAL (http://www.circuitomusical.com) OU ATRAVÉS DO E-MAIL mezzoforte10@hotmail.com.

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