Maestro

Na ECA-USP de 1983, enquanto realizava meu curso de Licenciatura em Educação Artística, tínhamos de cantar no Coral da ECA. O maestro desse coral, meu xará Marco Antonio da Silva Ramos também dirigia o Coral do Museu Lasar Segall, e não demorei a ingressar nele. Em ambos os grupos, atuei como coralista, monitor de naipes, regente, arranjador e, eventualmente, musicógrafo, e mal sabia que toda essa valiosa experiência me faria iniciar uma carreira de diretor de corais que perdura até hoje.

A minha formação acadêmica de regente é curiosa: tive aulas com o Marco Antonio, com George Olivier Toni e com Jamil Maluf, mas acho que o que o meu desempenho se deve mais à experiência que propriamente aos ensinamentos que tive. Se reger for passar sentimento através dos gestos e do o olhar, permitindo com que seus comandados façam a melhor música possível, então posso dizer que os resultados têm me satisfeito o bastante.

Em 1984, dirigi o primeiro de vários corais, o Coral Juvenil do Conservatório Musical Jardim da Saúde, onde permaneci até 1988. Esse grupo me foi muito gratificante pois, embora os alunos fossem obrigados a participar do coral como disciplina do conservatório, o faziam com grande prazer. A partir daí, vieram outros grupos: o Coral da Colgate-Palmolive (1985-7), o Madrigal da Praça (do Banco do Brasil Agência Praça da Árvore) (1994-2000), o Coral da ESPM (desde 1995), o Coral do Clube Athlético Paulistano (1997-2001), o Coral da Medicina Santos (2000) e o Coral da Universidade da Paz (desde 2001), com os quais já realizei uma infinidade de apresentações e até gravações. Destas, tenho especial carinho pelo CD Christmas Songs, de 1998, onde o Coral da ESPM registra com graça alguns dos standards americanos que marcam a efeméride, com arranjos meus derramando chantilly, como um amigo meu costuma brincar. Cá entre nós, é realmente o CD de Natal mais alegre que conheço!

Esses grupos tem dado certo porque cantam o que gostam e como gostam, eu realizo arranjos e transcrições exclusivos para eles, e a cada ensaio aprendo muito com o seu entusiasmo. É importante abrir espaço para que as pessoas se expressem musicalmente com espontaneidade, senão jamais se fará a verdadeira música.

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