Musicólogo

Minhas experiências no ramo da musicologia vem do ano de 1988, quando comecei a pesquisar o choro, para mim, uma das mais importantes linguagens musicais que existem. Ao selecionar repertório para um concerto em que transcrevi e interpretei choros e valsas para piano a 4 mãos, descobri a riqueza de nossa música popular, e passei a dedicar-me em desvendar seus segredos.

Em 1991, quando idealizei e apresentei o Programa Contando o Choro, na Rádio Cultura AM de São Paulo, passei a ter um contato maior com o choro e os chorões. Os programas produzidos foram memoráveis, e só me fizeram aprofundar a missão.

Em 1993, fui contemplado pela Fundação Vitae com uma bolsa de duração de um ano para realizar um levantamento de vida e obra de doze músicos brasileiros ligados ao choro e que, com exceção de Waldir Azevedo, se encontravam vivos, alguns já aposentados e outros poucos ainda em franca carreira, todos merecedores de um digno resgate: Orlando Silveira (falecido em 1993), Lina Pesce (falecida em 1995), Nabor Pires Camargo (falecido em 1996), Antonio Porto Filho (Portinho)(falecido em 1997), Carolina Cardoso de Menezes (falecida em 2000), Horondino Silva (Dino Sete Cordas)(falecido em 2006), Ademilde Fonseca, Altamiro Carrilho, Antonio Rago, Canhoto da Paraíba, César Faria e, naturalmente, Waldir Azevedo (falecido em 1980). A bolsa me proporcionou a imensa honra e prazer de empreender contato pessoal com todos esses músicos (exceto Waldir) e pessoas a eles ligadas em peregrinações às cidades em que se encontra(va)m radicados: – São Paulo-SP, Mococa-SP, Indaiatuba-SP, Rio de Janeiro-RJ e Paulista (Grande Recife, PE) – para coleta de depoimentos, material e informações. Com a morte de vários deles, me tornei o detentor de boa parte de suas histórias e seu legado.

Foi um trabalho da mais alta significância que, mesmo com o término da bolsa, prossegue alentadamente e dá margem à veiculação através dos mais variados meios, a saber: livros, relançamento de antigas gravações em CDs, reedição de partituras, palestras, workshops e apresentações artísticas divulgando suas obras e trajetórias. Espero que tudo isso possa ser viabilizado de maneira que esses nossos grandes músicos recebam a reverência e reconhecimento de direito.

E, felizmente, algo já tem se concretizado nesse sentido: a editora Irmãos Vitale, marco do pioneirismo da edição musical no Brasil, publicou, em 2003, “Nabor Pires Camargo, Uma Biografia Musical”, e em 2005 , “Waldir Azevedo, Um Cavaquinho na História”. A série, intitulada “Últimos Chorões Históricos”, prevê o lançamento de todas as biografias por mim desenvolvidas a partir da premiação com a Bolsa Vitae.

Como fruto das pesquisas empreendidas desde 1988, amealhei um acervo em gravações e partituras que conta com algumas centenas de músicas populares brasileiras. À medida em que pudermos driblar o descaso que determinadas instâncias dedicam à nossa memória musical, espero poder viabilizar cuidadosos projetos valendo-me desse valioso material.

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