Pianista

Tive a grande felicidade de nascer numa família musical, e de com tenra idade já tirar sons de qualquer instrumentozinho que me caía às mãos, mas só vim a iniciar meus estudos formais de música na forma de aulas de piano em 1975, aos 10 anos de idade, com a professora Rosa Lourdes Civile Melitto, e levei uns três anos para ter meu próprio piano. Dona Rosa dizia: “Com piano em casa, a criança relaxa!” Felizmente, meu piano veio, e eu não relaxei! Bons tempos aqueles, quando preparávamos com afinco uma, duas musiquinhas durante um ano inteiro para uma única apresentação, a audição de final de ano, sempre no auditório da Liga das Senhoras Católicas (que hoje abriga o Teatro Imprensa) e às vistas de toda a família e amigos embevecidos!

De 1980 a 1982, prossegui os estudos com a pianista e compositora Lourdes França, executei muitas de suas composições e logo em meu primeiro ano com a nova mestra cheguei a lograr uma terceira colocação no 1o. turno do IV Concurso Nacional de Piano Lourdes França. Só que, cá entre nós, foi marmelada: a menina que tirou o primeiro lugar nem era grande coisa e, por isso, me desiludi, riscando os concursos de minha lista de metas. Paciência…

Durante os anos de ECA-USP, de 1984 a 87, entre outros professores, aperfeiçoei minha interpretação com o pianista e professor Gilberto Tinetti e, finalmente, de 1988 a 1989 dei os últimos retoques técnicos com a professora e compositora Lina Pires de Campos. Com estes dois importantes didatas do teclado, dei por concluída minha formação no instrumento.

Por uma questão do destino, não me tornei pianista concertista, e quando comecei a pensar nisso mais seriamente, já estava “velho” para participar dos concursos destinados a jovens solistas (“velho” com 25 anos, imaginem!). Então, acabei me canalizando para aquela que vem a ser uma de minhas principais vocações como músico: a de pianista acompanhador e, principalmente, de cantores líricos. A minha estréia como tal foi em 03 de julho de 1989, num concerto da série Vesperais Líricas do Theatro Municipal de São Paulo, e posso dizer que esse foi um momento importante de minha carreira, pois até os dias de hoje sou convidado a realizar concertos não só na mesma série e no mesmo velho teatro como também em numerosos outros auditórios, já contando com dezenas e dezenas de significativas realizações na área e o reconhecimento da classe. Fora isso, empreendi colaborações com instrumentistas solistas de todos os tipos, principalmente da área popular, e foram muitas as experiências nesse setor.

É sempre uma grande emoção emprestar vigor e musicalidade ao secundar cantores e instrumentistas. O resultado é um entrosamento ímpar que extrai o máximo de energia do solista e resulta em contagiantes interpretações. Acompanhar é uma arte à parte, e espero continuar realizando esse trabalho por muitos e muitos anos.

Minha atividade de pianista culmina no lançamento do CD Homenagem a Canhotinho, onde registrei a obra instrumental desse importante músico brasileiro através de transcrições próprias, e do recente lançamento do CD Encores, que constitui-se no meu primeiro trabalho essencialmente erudito e traz um repertório calcado em peças extra-programa que vai do barroco alemão ao impressionismo francês.

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